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“Talvez eu deva ser forte,
Pedir ao mar
Por mais sorte
E aprender a navegar.”

 

A vida não tem sido das mais fáceis. Acho, também, que eu não tenho contribuído muito para que ela melhorasse. Tem horas que a dor dói e dói em todos os cantos e lugares e pedacinhos de mim; e fico me perguntando quantas vezes mesmo pode um coração quebrar. Fico me perguntando quantas vezes mesmo eu vou ser punida por alguma coisa indefinida que eu nem ao menos tenho certeza se fiz.

Não sei muito mais como sair dessa bola de neve infinita que as coisas se tornaram desde…eu não estou feliz há tanto tempo que já nem sei mesmo como é. Eu carrego isso em mim, essa melancolia que me parece inerente, esse peso que se prende as minhas pernas e torna o sair e o viver tão dificultosos.

E eu tenho medo. E eu quero colo. E eu me sinto tão tão sozinha, mesmo rodeada de gente todo o tempo. Quase passa todos os dias, mas nunca passa de uma vez. Esse quase já não dá mais, perder tudo continuamente não dá mais, esse drama e essa dor já não dão mais…cadê tudo aquilo que a vida tinha me prometido? cadê?

Essa tristeza que gruda em mim e não sai e toda essa minha incapacidade de viver estão me enlouquecendo. vou acabar fugindo com a novela, grava o que eu digo.

Quando penso em você, fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa, menos a felicidade
Correm os meus dedos longos, em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego já me traz contentamento

Pode ser até manhã, cedo claro feito dia
Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria
Eu só queria ter no mato um gosto de framboesa
Prá correr entre os canteiros e esconder minha tristeza

Que eu ainda sou bem moço prá tanta tristeza
E deixemos de coisa, cuidemos da vida,
Pois se não chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta moço, sem ter visto a vida.

“I wanna hear what you have to say about me
Hear if you’re gonna live without me
I wanna hear what you want
I remember december”

Vai passar. Todo mundo, sem exceção, me diz que vai passar. Vai passar e um dia não vou nem acreditar nessa dor tamanha que sinto agora, vai passar e não vou pensar em você dia sim e dia também, vai passar e…já não devia estar passando?

É muito ruim. Muito muito ruim. E dói em tudo, no respirar e no sorrir, mas, principalmente, no seguir em frente. Como é que segue em frente e deixa tudo o que fomos pra trás? Como que segue sem aquela delícia sem fim que era me sentir amada por você? Como?

Eu sei que não havia meios de continuar. E que ficar te vendo só me dói mais, por ver como está bem, como está bom isso de viver sem mim. Será que é fácil assim? Será que você ainda pensa em mim? Eu sinto sua falta, putaqueopariu, eu sinto sua falta. Mas você tá bem, não está? É a única coisa que me impede de pegar o telefone e te ligar agora, porque eu posso ter excluído seu número, mas foi uma ilusão…eu sei de cor.

Fico conjeturando formas diferentes de te mandar uma mensagem perdida numa madrugada qualquer. “Saudade”. É o que eu queria te dizer, mais que tudo. S-a-u-d-a-d-e. Da gente. Deusdocéu, Adele sempre vem e fica cantando e cantando que a gente podia ter tudo. A gente podia ter tido tudo.

Que faço eu então com isso que sobrou?

Eu não sei o que pode ser pior. Não quero superar. Não quero. Eu quero você. E quero você. E quero você. Tô perdendo as forças aos poucos…e te vejo tão bem. Tão fucking bem. Quero passar na sua frente e gritar na sua cara e te dar m chute num lugar que doa muito, pra ver se assim você sente isso que eu tô sentindo. Quero berrar pra você para que “tire seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor”. Quero esfregar minha dor em você, feito Leoni fala, para te enlouquecer, até você me pedir perdão.

Cinquenta receitas só me lembram que nada resolve. Ás vezes o amor dura,mas ás vezes o que ele faz é doer. E eu só quero tirar você de mim. Estou aprendendo a viver sem você. E dói, Deus do céu, como dói…

Eu fico noites e noites sem dormir. Me policio de forma a não pensar em nada que me traga essa taquicardia que já está se tornando típica das minhas noites insones. Eu estou com medo. De tudo.

Porque…de verdade, se você for olhar pra esses ultimos tempos, não restou lá muita coisa. E eu posso até estar tentando erguer uma ou outra estrutura, mas, de resto, estão todas no chão.

E aí é dificil se equilibrar quando não tem mais nada pra te manter em pé. Eu fico apavorada. A-pa-vo-ra-da. Olha pra mim, no meus olhos e diz se voce nao consegue perceber isso. Nos meus gestos nervosos, no meu genio cada vez mais arredio, cada vez mais agressivo.

Como é que faz isso de saber se a gente tá fazendo certo? Como é que sufoca essa sensação filhadaputa de que não é o suficiente? Não saber de mais nada me deixou em um tal estado de nervos que me dá dó de mim mesma.

Não dá mais pra fugir, não é mesmo?

verborragia

E tudo me dói. Tudo me tranca a garganta e me sufoca num choro preso que eu já acostumei a sufocar. Mas me apavora. Me a-pa-vo-ra. Queria que você fosse capaz de ver isso – o pavor estampado no meu rosto.

Porque não sou desses que olham pra frente achando o futuro brilhante e as possibilidades lindas. Já fui, mas não mais. Hoje… hoje eu vejo tudo isso que tá acontecendo e meudeus, sabe? meu deus.

É porque qualquer coisa que pudesse me trazer sensação de conforto e ternura está sendo continuamente arrancado de mim, um após o outro. Isso me enlouqueceu, me entristeceu, me fez assim…com medo.

Não quero mais nao quero mais nao quero mais. Deixa alguma coisa ficar, vai. Qualquer coisa. Mas deixa, não to podendo mais perder nada. Não tenho saude pra perder mais nada.

E essa gente que me quer dar alguma coisa, só peço que entenda – calma. Perdi muito. Tudo? Tudo. E então, calma. Não quero ganhar nada, só nao quero perder mais nada. Só isso.

Já deu.

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