“Meu mundo se resume a palavras que me perfuram, a canções que me comovem, a paixões que já nem lembro, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem, à constante perseguição do que ainda não sei. Meu mundo se resume ao encontro do que é terra e fogo dentro de mim, onde não me enxergo, mas me sinto.”
Martha Medeiros
Larissa, com o nome escolhido pela família, mas, no fundo, sempre Lá, com o diminutivo carinhoso daqueles que me cercam. Com dezoito anos, que por horas me parecem oito e em outras, oitenta. Frequentadora de certas arcadas onde teimo em aprender sobre leis e acabo é aprendendo sobre um amor diferente, movido a causas maiores.
Caio com mais facilidade que o restante do mundo, ando pelas ruas pensando em absurdos, falo sozinha, derrubo tudo e sou desorganizada. Com um quê de artista frustrada, sonho em desenhar, em pintar, em fotografar e acabo sempre voltando às palavras.Não consigo definir as minhas bandas preferidas, pois elas mal me cabem nas mãos e, no final, são o que me fazem chegar ao final do dia sã.
Tenho medos e manias. Me assusta pensar em um mundo onde meus pais não existam. Carrego marcas físicas, mas, no fundo, são as outras que mais saltam aos olhos de quem me vê, por mais que eu as tente esconder. Falo mais do que a boca me permite e com pessoas desconhecidas e aleatórias. Por sorte, sou cercada de amor e atenção, por todos os lados. Sorte, porque não sou exatamente a pessoa mais atenciosa do mundo e peco muito por ser a dona da maior preguiça já vista.
Trabalho diariamente pela extinção do meu lado orgulhoso demais. Tento aos poucos me livrar do medo de parecer vulnerável. As vezes, a única coisa que eu preciso é gritar, sozinha, pro vento. Tenho amigos-irmãos e crio laços de afeto com facilidade. Passeio de mãos dadas com o ar. Danço, danço, danço enlouquecidamente, especialmente pra dissipar uma ansiedade ou nervosismo.
Crio verdadeiras odisséias que só ocorrem na minha mente meio perturbada. Tendencia de me perder entre os assuntos do cotidiano, caindo em lacunas que refletem os raios de sol. Tenho medo de endurecer e realmente não gosto de mudanças. Solidão é como uma companhia, nem sempre má, só quando me vem pra mostrar que o amor, aquele de artigo definido e tudo, não é exatamente pro meu bico.
Sinto tudo muito, nada pouco – por isso, muitas vezes, prefiro tentar não sentir. Estou em constante espera, com uma esperança infindável que me é peculiar. Sou uma coletânia das histórias que vivi, das músicas, livros e filmes que coloriram essa vida e, principalmente, do pouquinho que as pessoas que passaram por ela deixaram de si e levaram de mim, colando os cacos que me definem como eu mesma.
Sonho, sonho e sonho. E , quando em duvida sobre o que fazer, eu simplesmente sorrio. :)
“Então, como sei que o meu acaso tá recheado de sonho,meu destino tá recheado de sonho, vou seguir sonhando, entendeu? Porque a maior parte do que vai determinar o meu destino tá fora do meu alcance. Então eu continuo sonhando, ou seja, fazendo aquilo que sinto que é o melhor que posso fazer, que é aquilo de que eu gosto. E vou ver no que vai dar.” R. Amarente


